Sai de trás da nuvem, meu anjo
e vem com tuas asas elevar-me.
Vem a voar para meus braços,
que é esse o teu lugar.
Vem comigo perpetuar,
que eu não fujo dos teus passos.
Sai dessa nuvem, meu anjo, sai
e vem-me conhecer.
Vem comigo viver,
ou deixa-me só o desejo
de te ver voar para mim
que eu morro em teu beijo.
Voa até mim, devagar,
para eu ter tempo de contemplar
a tua forma de viver.
Juro que te vou abraçar, por isso
vem viver comigo meu anjo
e sai dessa nuvem para eu te conhecer.
Uma dor aumentada, num acorde triste e num compasso vagaroso, de expressão terna e patética...
quinta-feira, 29 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Não vi o Sol partir
E não vi o Sol partir,
porque me levei na corrente
deste sonho eloquente.
Mas assim sonhei,
lado a lado com um amigo,
que se sentou a sonhar comigo.
Ao meu lado? Um amigo. Na beira da piscina fazemos planos e desenhamos mundos no Céu; vivemos nossos sonhos e viajamos no tempo para o futuro, na máquina da nossa imaginação. Somos Reis, ou Deuses, ou turistas que fazem a mala e viajam pela vida, para a conhecer.
Imagino-me assim. Um turista; umas botas de montanha, umas jeans e, para cima, uma t-shirt confortável e um casaco de malha que nos aquece nas noites mais frias. Às costas levo apenas a guitarra e um bloco de folhas onde escrevo. Uma bolsa pequena à tira-colo leva todos os meus pertences: a carteira com algum dinheiro e documentos; uma bússola (que eu não sei ler); uma caneta e um canivete. Pronto para viajar e conhecer o mundo à minha volta. Pronto para as aventuras, a experiência, o conhecimento e o crescimento. Turista sonhador...
Volto ao mundo real. Lá continua o meu amigo comigo. Ouvimos uma criança no quarto da casa em frente a tocar um instrumento de sopro. Trocamos ideias e jogamos Monopólio com as casas que avistamos nos vales das montanhas que nos cercam. Brincamos com esses pontos tão longínquos, que nos cabem na palma da mão.
Conversamos sobre tudo; do que vamos fazer ou do que queremos fazer; daquilo que gostávamos de ser e os caminhos por onde queremos andar.
O pôr-do-sol estende-se pelo céu, reflectindo-se no rio que vemos de onde nos encontramos sentados e na piscina que temos nas nossas costas. É de um vermelho vivo incrível, que divide o Sol em duas metades igualmente lindas.
E continuamos a conversar. Estamos já numa discussão tão viva sobre aquilo que vamos fazer e do quão grandes vamos ser que tudo parecia ser real e os pontos longínquos em forma de casa eram agora todas as nossas futuras conquistas; o rio espelhava não o sol, mas os nossos sonhos realizados; pelo céu já não se estendia a mancha docemente avermelhada do pôr-do-Sol, mas sim o sabor da vitória. Estamos tão embalados pela melodia da nossa imaginação...
...
Já tudo nos parecia distante e tão pouco real, quando nos apercebemos que estávamos sozinhos, eu e o meu amigo; o Sol partira e nós tínhamos continuado ali sentados a sonhar e a partilhar aventuras não realizadas. O rio já não espelhava o Sol, ou os sonhos, mas sim as luzes de todas aquelas casas lá longe. No céu já não estava a cor avermelhada nem a nossa vitória, mas sim a lua e as estrelas. A criança já não tocava o seu instrumento. Já se viam luzes ligadas dentro de casa.
E assim, já sonhados, voltamos para junto do resto do mundo.
porque me levei na corrente
deste sonho eloquente.
Mas assim sonhei,
lado a lado com um amigo,
que se sentou a sonhar comigo.
Ao meu lado? Um amigo. Na beira da piscina fazemos planos e desenhamos mundos no Céu; vivemos nossos sonhos e viajamos no tempo para o futuro, na máquina da nossa imaginação. Somos Reis, ou Deuses, ou turistas que fazem a mala e viajam pela vida, para a conhecer.
Imagino-me assim. Um turista; umas botas de montanha, umas jeans e, para cima, uma t-shirt confortável e um casaco de malha que nos aquece nas noites mais frias. Às costas levo apenas a guitarra e um bloco de folhas onde escrevo. Uma bolsa pequena à tira-colo leva todos os meus pertences: a carteira com algum dinheiro e documentos; uma bússola (que eu não sei ler); uma caneta e um canivete. Pronto para viajar e conhecer o mundo à minha volta. Pronto para as aventuras, a experiência, o conhecimento e o crescimento. Turista sonhador...
Volto ao mundo real. Lá continua o meu amigo comigo. Ouvimos uma criança no quarto da casa em frente a tocar um instrumento de sopro. Trocamos ideias e jogamos Monopólio com as casas que avistamos nos vales das montanhas que nos cercam. Brincamos com esses pontos tão longínquos, que nos cabem na palma da mão.
Conversamos sobre tudo; do que vamos fazer ou do que queremos fazer; daquilo que gostávamos de ser e os caminhos por onde queremos andar.
O pôr-do-sol estende-se pelo céu, reflectindo-se no rio que vemos de onde nos encontramos sentados e na piscina que temos nas nossas costas. É de um vermelho vivo incrível, que divide o Sol em duas metades igualmente lindas.
E continuamos a conversar. Estamos já numa discussão tão viva sobre aquilo que vamos fazer e do quão grandes vamos ser que tudo parecia ser real e os pontos longínquos em forma de casa eram agora todas as nossas futuras conquistas; o rio espelhava não o sol, mas os nossos sonhos realizados; pelo céu já não se estendia a mancha docemente avermelhada do pôr-do-Sol, mas sim o sabor da vitória. Estamos tão embalados pela melodia da nossa imaginação...
...
Já tudo nos parecia distante e tão pouco real, quando nos apercebemos que estávamos sozinhos, eu e o meu amigo; o Sol partira e nós tínhamos continuado ali sentados a sonhar e a partilhar aventuras não realizadas. O rio já não espelhava o Sol, ou os sonhos, mas sim as luzes de todas aquelas casas lá longe. No céu já não estava a cor avermelhada nem a nossa vitória, mas sim a lua e as estrelas. A criança já não tocava o seu instrumento. Já se viam luzes ligadas dentro de casa.
E assim, já sonhados, voltamos para junto do resto do mundo.
Meu raio de Sol...
És tu o meu raio de sol
és tu!
Voltaste para mim nestes dias de Verão.
Peço-te que não voltes mais a fugir
porque quero que me aqueças quando vier o Inverno.
Não fujas e aquece-me o corpo.
Ilumina-me os dias (e as noites).
Acorda-me de manhã,
como fazes sempre, pela janela do meu quarto.
Leva-me o mais doce pequeno-almoço
e dá-me um beijo ao acordar.
Não quero que vás embora.
Quero partilhar meu paraíso contigo.
Quero que fiques aqui comigo;
deita-te do meu lado e aquece tu também.
Não te preocupes que hás-de sempre saber o caminho
para voltares a casa.
Deixa-te, então, ficar.
Dá-me um mundo num raiar,
que eu continuo a viver nele contigo aqui.
Entra mais vezes na minha janela
e lembra-me como é belo este dia.
Espera-me sempre ao acordar
e fica perto de mim
porque se um dia eu acordar mais cedo
também eu te levarei o pequeno-almoço à cama.
és tu!
Voltaste para mim nestes dias de Verão.
Peço-te que não voltes mais a fugir
porque quero que me aqueças quando vier o Inverno.
Não fujas e aquece-me o corpo.
Ilumina-me os dias (e as noites).
Acorda-me de manhã,
como fazes sempre, pela janela do meu quarto.
Leva-me o mais doce pequeno-almoço
e dá-me um beijo ao acordar.
Não quero que vás embora.
Quero partilhar meu paraíso contigo.
Quero que fiques aqui comigo;
deita-te do meu lado e aquece tu também.
Não te preocupes que hás-de sempre saber o caminho
para voltares a casa.
Deixa-te, então, ficar.
Dá-me um mundo num raiar,
que eu continuo a viver nele contigo aqui.
Entra mais vezes na minha janela
e lembra-me como é belo este dia.
Espera-me sempre ao acordar
e fica perto de mim
porque se um dia eu acordar mais cedo
também eu te levarei o pequeno-almoço à cama.
"You are my sunshine, my only sunshine
You make me happy when skies are gray
You'll never know dear, how much I love you
Please don't take my sunshine away"
You make me happy when skies are gray
You'll never know dear, how much I love you
Please don't take my sunshine away"
domingo, 18 de julho de 2010
Tenho o meu paraíso
Para trás ficam as saudades
daqueles de que me despeço.
E despeço-me porque sei
que ao partir magoei alguém.
Deixo as saudades no bolso
e parto rumo a um mundo novo.
E como é bonito este novo mundo,
agora que nele o posso sentir;
porque sei que por mais de bom que venha,
nunca mais ira partir.
Abraço de perto a felicidade
e digo adeus a tudo o que faz sofrer;
neste mundo que é tao meu
em que aproveito para esquecer.
Num olhar tão sincero
faço dele o meu sorriso,
pois tenho na mão o que quero:
tenho este meu paraíso.
Fecho os olhos e peço ao céu
que não me faça parar de sonhar,
porque quando abrir os olhos
será altura para voltar.
E seja um dia que volte,
um dia para esquecer,
pois volto para um mundo
que só me faz sofrer.
Finalmente chegou o dia em que vos preparei para partir. Para trás deixo os Obrigados e o Adeus num abraço longínquo.
Seja o dia em que eu acordar, o dia em que volte, aquele dia que me faça despertar, que por mais que se sonhe e se tente, não conseguimos viver a sonhar.
Adeus.
daqueles de que me despeço.
E despeço-me porque sei
que ao partir magoei alguém.
Deixo as saudades no bolso
e parto rumo a um mundo novo.
E como é bonito este novo mundo,
agora que nele o posso sentir;
porque sei que por mais de bom que venha,
nunca mais ira partir.
Abraço de perto a felicidade
e digo adeus a tudo o que faz sofrer;
neste mundo que é tao meu
em que aproveito para esquecer.
Num olhar tão sincero
faço dele o meu sorriso,
pois tenho na mão o que quero:
tenho este meu paraíso.
Fecho os olhos e peço ao céu
que não me faça parar de sonhar,
porque quando abrir os olhos
será altura para voltar.
E seja um dia que volte,
um dia para esquecer,
pois volto para um mundo
que só me faz sofrer.
Finalmente chegou o dia em que vos preparei para partir. Para trás deixo os Obrigados e o Adeus num abraço longínquo.
Seja o dia em que eu acordar, o dia em que volte, aquele dia que me faça despertar, que por mais que se sonhe e se tente, não conseguimos viver a sonhar.
Adeus.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Custa
Pesa-me a mão sobre o peito;
a mão que quando me deito
me toca a coração.
Custa-me ao respirar,
como me custa pensar
haver tanta dor na razão.
Custa-me fechar os olhos e dormir
como me custa pedir
mais uma hora de descanso.
Custa-me tanto pensar
como me custa adormecer.
Mas fecho os olhos com força
na ânsia de me esquecer.
E então fico por aqui, deitado
vivo e gelado
à espera que me chamem.
E no sonhar acordado,
digo, de cansado,
por favor, não me amem.
a mão que quando me deito
me toca a coração.
Custa-me ao respirar,
como me custa pensar
haver tanta dor na razão.
Custa-me fechar os olhos e dormir
como me custa pedir
mais uma hora de descanso.
Custa-me tanto pensar
como me custa adormecer.
Mas fecho os olhos com força
na ânsia de me esquecer.
E então fico por aqui, deitado
vivo e gelado
à espera que me chamem.
E no sonhar acordado,
digo, de cansado,
por favor, não me amem.
domingo, 11 de julho de 2010
Nu
Quero viver nu
porque foi nu que nasci.
Quero viver assim,
para sentir em mim
o vento que me toca.
Quero viver no estado mais puro;
quero viver nu de preconceitos,
despido de actos perfeitos.
Quero errar em paz
e olhar para trás
e ver os meus defeitos.
Quero viver nu de razão
e nu de coração.
Quero mostrar meu corpo;
viver sem estar morto.
Quero viver nu
para mostrar que é natural
a minha forma de viver.
Quero viver nu porque não é normal,
é um viver natural.
E narcisismos à parte,
sou uma obra de arte.
Não quero roupa no corpo,
porque é um viver pesado
e eu não me quero sentir fechado.
Quero estar aberto à chuva que me molha
e ao mundo que me olha.
Quero mostrar quem sou
e o meu espaço;
e quero que vejam onde vou
e o que faço.
Não quero viver vestido,
porque isso não faz sentido;
porque isso é viver errado.
Quero viver despido,
porque nu é o meu estado.
porque foi nu que nasci.
Quero viver assim,
para sentir em mim
o vento que me toca.
Quero viver no estado mais puro;
quero viver nu de preconceitos,
despido de actos perfeitos.
Quero errar em paz
e olhar para trás
e ver os meus defeitos.
Quero viver nu de razão
e nu de coração.
Quero mostrar meu corpo;
viver sem estar morto.
Quero viver nu
para mostrar que é natural
a minha forma de viver.
Quero viver nu porque não é normal,
é um viver natural.
E narcisismos à parte,
sou uma obra de arte.
Não quero roupa no corpo,
porque é um viver pesado
e eu não me quero sentir fechado.
Quero estar aberto à chuva que me molha
e ao mundo que me olha.
Quero mostrar quem sou
e o meu espaço;
e quero que vejam onde vou
e o que faço.
Não quero viver vestido,
porque isso não faz sentido;
porque isso é viver errado.
Quero viver despido,
porque nu é o meu estado.
sábado, 10 de julho de 2010
Rascunho
Deito-me na cama e rascunho.
Rascunho para o ar
palavras do que quero viver,
ou do que virei a ser.
Faço projectos de vida;
desenho uma saída.
Esboço sorrisos
por nada que se vá concretizar.
É o sonho, é sonhar.
Faço planos de voar,
de partir, sem voltar;
e crio o meu próprio fado.
Rascunho um desejo
e rascunho até um beijo.
É um toque rascunhado
de um olhar envergonhado.
Esboço palavras e textos
dos olhos que hoje fecho,
lembrando-me de pensar.
E de olhos fechados rascunho
mais um pouco do mundo.
Estou na cama, deitado
e abro os olhos devagar.
Sorrio e levanto-me,
porque há lá fora
mais folhas para rascunhar.
Rascunho para o ar
palavras do que quero viver,
ou do que virei a ser.
Faço projectos de vida;
desenho uma saída.
Esboço sorrisos
por nada que se vá concretizar.
É o sonho, é sonhar.
Faço planos de voar,
de partir, sem voltar;
e crio o meu próprio fado.
Rascunho um desejo
e rascunho até um beijo.
É um toque rascunhado
de um olhar envergonhado.
Esboço palavras e textos
dos olhos que hoje fecho,
lembrando-me de pensar.
E de olhos fechados rascunho
mais um pouco do mundo.
Estou na cama, deitado
e abro os olhos devagar.
Sorrio e levanto-me,
porque há lá fora
mais folhas para rascunhar.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Actos e passos
É com meus actos que mostro quem sou.
É com o que faço que me faço ouvir,
não é com o que digo,
que a boca pode mentir;
nem é com o que sinto,
que o coração pode trair.
É em cada passo que dou que mostro o que sou
e onde vou, devagar, sem ter medo,
seja tarde ou cedo, para mostrar o que digo.
É com o que faço que me afasto do que não quero sentir.
Mas é com o que faço que não engano;
é com meus passos que me amo.
É com o que faço que chamo quem
eu quero que me veja bem.
É com meus actos que não iludo
e com meus actos acudo
aqueles que me chamam.
É com meus actos que digo
àqueles que me amam
que não consigo não os fazer sofrer.
É com meus passos que magôo
e é com meus passos que corro
para longe de tudo.
E novamente acudo aqueles
que com meus passos piso
deixando o aviso
de quando posso magoar.
É com meus passos que faço sorrir
ou então que faço chorar;
mas é com meus actos que sem sentir,
mostro aos outros o que é amar.
É com o que faço que me faço ouvir,
não é com o que digo,
que a boca pode mentir;
nem é com o que sinto,
que o coração pode trair.
É em cada passo que dou que mostro o que sou
e onde vou, devagar, sem ter medo,
seja tarde ou cedo, para mostrar o que digo.
É com o que faço que me afasto do que não quero sentir.
Mas é com o que faço que não engano;
é com meus passos que me amo.
É com o que faço que chamo quem
eu quero que me veja bem.
É com meus actos que não iludo
e com meus actos acudo
aqueles que me chamam.
É com meus actos que digo
àqueles que me amam
que não consigo não os fazer sofrer.
É com meus passos que magôo
e é com meus passos que corro
para longe de tudo.
E novamente acudo aqueles
que com meus passos piso
deixando o aviso
de quando posso magoar.
É com meus passos que faço sorrir
ou então que faço chorar;
mas é com meus actos que sem sentir,
mostro aos outros o que é amar.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Pintei-te
Hoje lembrei-me de pintar.
Peguei num pincel
e comecei, mas sem papel
não consigo desenhar.
Peguei numa tela
e desenhei nela
o esboço das tuas formas.
E como que numa cor tornas
a estar viva à minha frente.
Mudo então a cor, porque não quero
ter-te de novo ao vivo,
pois desespero
e de ti me esquivo.
Desenho os contornos das tuas curvas
em cores meio turvas.
A tua imperfeição aparece em traços claros
em contraste com a vivacidade dos teus olhos desenhados.
Em teus lábios me envolvi
pois ao desenhar percebi
que os nossos se tinham beijado.
Desenhei teus cabelos
em cachos dourados;
com teus caracóis,
longos e enrolados.
Da perfeição fiz as tuas pernas
ou fiz de tuas pernas a perfeição;
não sei bem qual delas foi
do meu desenho a razão.
Não te pintei o coração,
pois preferi desenhar-te a razão;
nem te desenhei a roupa
e a culpa é só tua,
porque na imagem da minha mente
só te imagino nua.
Peguei num pincel
e comecei, mas sem papel
não consigo desenhar.
Peguei numa tela
e desenhei nela
o esboço das tuas formas.
E como que numa cor tornas
a estar viva à minha frente.
Mudo então a cor, porque não quero
ter-te de novo ao vivo,
pois desespero
e de ti me esquivo.
Desenho os contornos das tuas curvas
em cores meio turvas.
A tua imperfeição aparece em traços claros
em contraste com a vivacidade dos teus olhos desenhados.
Em teus lábios me envolvi
pois ao desenhar percebi
que os nossos se tinham beijado.
Desenhei teus cabelos
em cachos dourados;
com teus caracóis,
longos e enrolados.
Da perfeição fiz as tuas pernas
ou fiz de tuas pernas a perfeição;
não sei bem qual delas foi
do meu desenho a razão.
Não te pintei o coração,
pois preferi desenhar-te a razão;
nem te desenhei a roupa
e a culpa é só tua,
porque na imagem da minha mente
só te imagino nua.
sábado, 3 de julho de 2010
Olhámo-nos!
Tirei-te a blusa,
como quem usa
luvas de seda.
Atirei-a para o chão
e com o coração
a acelerar
deitei-te, devagar,
na minha cama.
Percorri o teu corpo
com meus lábios
a beijar cada palmo da tua pele,
doce como mel.
Davas-me a mão, mas eu não queria.
Porque de mão dada sentia
e eu não queria.
Desculpa.
Beijei-te, outra vez,
como quem fez
um gesto audaz de magia
que mais parecia
o toque de uma melodia.
Passei-te a mão no corpo
e toquei-te no cabelo,
como que a vê-lo.
Beijei-te o rosto e o pescoço,
como que num esboço
de um beijo apaixonado.
Olhámo-nos!
E então aconteceu
o que naturalmente acontece:
a união de dois corpos,
no calor que aquece,
nos tremores de prazer
do que estava a acontecer.
E não quis fechar os olhos
porque de olhos fechados sentia
e com eles abertos via
a tua cara de satisfação,
no momento da união.
Tremeste abraçada a mim
no prazer daquele fim;
eu só não queria dar-te a mão,
para não te tocar o coração.
E ao deitarmo-nos, lado a lado,
de olhar cansado,
teu rosto fitado,
e suor apaixonado,
fechámos os olhos.
Fechámos os olhos
para ver em nós a razão
e deixar, de parte, o coração.
E deste-me a mão,
mas eu não quis,
pois preferi
ser feliz.
Desculpa por não te dar a mão.
como quem usa
luvas de seda.
Atirei-a para o chão
e com o coração
a acelerar
deitei-te, devagar,
na minha cama.
Percorri o teu corpo
com meus lábios
a beijar cada palmo da tua pele,
doce como mel.
Davas-me a mão, mas eu não queria.
Porque de mão dada sentia
e eu não queria.
Desculpa.
Beijei-te, outra vez,
como quem fez
um gesto audaz de magia
que mais parecia
o toque de uma melodia.
Passei-te a mão no corpo
e toquei-te no cabelo,
como que a vê-lo.
Beijei-te o rosto e o pescoço,
como que num esboço
de um beijo apaixonado.
Olhámo-nos!
E então aconteceu
o que naturalmente acontece:
a união de dois corpos,
no calor que aquece,
nos tremores de prazer
do que estava a acontecer.
E não quis fechar os olhos
porque de olhos fechados sentia
e com eles abertos via
a tua cara de satisfação,
no momento da união.
Tremeste abraçada a mim
no prazer daquele fim;
eu só não queria dar-te a mão,
para não te tocar o coração.
E ao deitarmo-nos, lado a lado,
de olhar cansado,
teu rosto fitado,
e suor apaixonado,
fechámos os olhos.
Fechámos os olhos
para ver em nós a razão
e deixar, de parte, o coração.
E deste-me a mão,
mas eu não quis,
pois preferi
ser feliz.
Desculpa por não te dar a mão.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Deita a cabeça no meu colo
Deita a cabeça no meu colo,
que com meus dedos afogo
os medos que em tua alma vagueiam.
Deita a cabeça no meu colo
e dá-me o teu olhar,
que ele vai odiar
conhecer o que hoje vejo.
Fecha os olhos e não vejas
aquilo que meus olhos vêem.
Olhemos juntos o mundo lá fora
e vejamos como se alastra a tua dor.
Esperemos de olhos fechados,
porque amanhã tudo será melhor.
Olhemos a vida com olhos de esperança
porque sabemos que tudo um dia irá passar.
E a menos que não passe o tempo,
ainda virei eu para te abraçar.
Abre os braços e sente
os meus braços em ti.
Se algum dia os meus dedos
se esquecerem de continuar,
lembra-me dos teus medos
para eu os abraçar.
Dá-me a mim o que sentes.
Não quero abraçar ninguém.
que com meus dedos afogo
os medos que em tua alma vagueiam.
Deita a cabeça no meu colo
e dá-me o teu olhar,
que ele vai odiar
conhecer o que hoje vejo.
Fecha os olhos e não vejas
aquilo que meus olhos vêem.
Olhemos juntos o mundo lá fora
e vejamos como se alastra a tua dor.
Esperemos de olhos fechados,
porque amanhã tudo será melhor.
Olhemos a vida com olhos de esperança
porque sabemos que tudo um dia irá passar.
E a menos que não passe o tempo,
ainda virei eu para te abraçar.
Abre os braços e sente
os meus braços em ti.
Se algum dia os meus dedos
se esquecerem de continuar,
lembra-me dos teus medos
para eu os abraçar.
Dá-me a mim o que sentes.
Não quero abraçar ninguém.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
São coisas
terça-feira, 29 de junho de 2010
ainda não...
Foi hoje o dia
que, a partir, me ria
e saí do meu mundo.
Foi num respirar profundo
que abri a porta e saí.
Não sei para onde, mas parti.
Caminhei por subidas e descidas
por calçadas maiores que vidas.
Senti o vento na cara
e numa parede pintada
vi o que um jovem escreveu
em motim da sua paz
que toda a gente leu.
E levo comigo a mensagem gravada
à medida que percorro a estrada.
Foi assim que caminhei até onde as pernas me levavam
sem sequer saber que era para casa que voltavam.
Ainda não é hoje o dia em que não volto. Talvez ainda seja cedo, ou ainda não tenha preparado as pessoas que se vão despedir de mim. Mas um dia esse dia chegará; e não quero parecer preditor, nem tão pouco egoísta, ao dizer que me parece que este vai ser o meu Verão.
Nessa altura estarei pronto para vos deixar a vós crescer sem mim a vosso lado, porque também eu seguirei caminho... sozinho.
que, a partir, me ria
e saí do meu mundo.
Foi num respirar profundo
que abri a porta e saí.
Não sei para onde, mas parti.
Caminhei por subidas e descidas
por calçadas maiores que vidas.
Senti o vento na cara
e numa parede pintada
vi o que um jovem escreveu
em motim da sua paz
que toda a gente leu.
E levo comigo a mensagem gravada
à medida que percorro a estrada.
Foi assim que caminhei até onde as pernas me levavam
sem sequer saber que era para casa que voltavam.
Ainda não é hoje o dia em que não volto. Talvez ainda seja cedo, ou ainda não tenha preparado as pessoas que se vão despedir de mim. Mas um dia esse dia chegará; e não quero parecer preditor, nem tão pouco egoísta, ao dizer que me parece que este vai ser o meu Verão.
Nessa altura estarei pronto para vos deixar a vós crescer sem mim a vosso lado, porque também eu seguirei caminho... sozinho.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Quero fugir
Quero fugir;
ou pelo menos não quero ficar.
Quero ir para longe e conquistar
o mundo que há para ver.
Quero esquecer o que deixo para trás
e ir em paz, comigo,
porque sei que consigo
partir e não voltar.
E quando partir não há-de ser para vir.
Quero calar a voz de quem me chama
e dizer a quem me ama
que se lembre de sorrir.
Quero partir sozinho e levar,
na bagagem, só a lembrança
do que um dia a esperança
me lembrou de procurar.
E procuro-me, assim, a mim,
que não sei por onde vou;
só sei que não haverá fim,
mesmo que não saiba onde estou.
Nem tão cedo quero saber
onde estou, para não me lembrar
de para trás querer voltar
e de o mundo me esquecer.
Assim fujo de mim e de todos,
sem destino ou passado.
Não olho mais para trás
e vou comigo, de braço dado.
Porque chega uma altura da vida em que todos nós sentimos esta necessidade de partir e não mais voltar. E será que devemos intelectualizar o impulso? Será que devemos não partir, só porque o rumo normal da vida é não contrariar a vontade e ficar? Ou será que nos devemos deixar levar por esta linda vontade de não querer ficar e partir em direcção ao nosso próprio mundo?
Mas como em tudo o que tem fim, quem cá fica é que sofre, e não quem parte. Mas porquê? Seria tudo tão melhor se quem ficasse sorrisse ao ver-nos partir, porque sabe que vamos para um sítio melhor, onde tudo o que temos é o que fazemos e onde tudo o queremos temos. Será que é uma espécie de inveja altruísta ou de um altruísmo egoísta, ficar-se triste porque o outro parte?
Dói pensar nisso; portanto mais vale partir só com a lembrança de que antes do nosso mundo, vivemos num mundo que não era nosso. Mais vale pegar nas malas e partir em nossa procura, antes que o mundo se esqueça de nós, por sermos apenas "mais um" que contraria a vontade de partir e fica a ter uma vida que não é a sua.
Então é aí que devemos fugir, de nós e dos outros, do que fomos e do que viremos a ser, só para, um dia, sermos o que quisermos...
ou pelo menos não quero ficar.
Quero ir para longe e conquistar
o mundo que há para ver.
Quero esquecer o que deixo para trás
e ir em paz, comigo,
porque sei que consigo
partir e não voltar.
E quando partir não há-de ser para vir.
Quero calar a voz de quem me chama
e dizer a quem me ama
que se lembre de sorrir.
Quero partir sozinho e levar,
na bagagem, só a lembrança
do que um dia a esperança
me lembrou de procurar.
E procuro-me, assim, a mim,
que não sei por onde vou;
só sei que não haverá fim,
mesmo que não saiba onde estou.
Nem tão cedo quero saber
onde estou, para não me lembrar
de para trás querer voltar
e de o mundo me esquecer.
Assim fujo de mim e de todos,
sem destino ou passado.
Não olho mais para trás
e vou comigo, de braço dado.
Porque chega uma altura da vida em que todos nós sentimos esta necessidade de partir e não mais voltar. E será que devemos intelectualizar o impulso? Será que devemos não partir, só porque o rumo normal da vida é não contrariar a vontade e ficar? Ou será que nos devemos deixar levar por esta linda vontade de não querer ficar e partir em direcção ao nosso próprio mundo?
Mas como em tudo o que tem fim, quem cá fica é que sofre, e não quem parte. Mas porquê? Seria tudo tão melhor se quem ficasse sorrisse ao ver-nos partir, porque sabe que vamos para um sítio melhor, onde tudo o que temos é o que fazemos e onde tudo o queremos temos. Será que é uma espécie de inveja altruísta ou de um altruísmo egoísta, ficar-se triste porque o outro parte?
Dói pensar nisso; portanto mais vale partir só com a lembrança de que antes do nosso mundo, vivemos num mundo que não era nosso. Mais vale pegar nas malas e partir em nossa procura, antes que o mundo se esqueça de nós, por sermos apenas "mais um" que contraria a vontade de partir e fica a ter uma vida que não é a sua.
Então é aí que devemos fugir, de nós e dos outros, do que fomos e do que viremos a ser, só para, um dia, sermos o que quisermos...
domingo, 27 de junho de 2010
Dia
Nasce de novo o dia
e mais uma vez vejo o Sol nascer.
Largo a insónia que me prende
e deixo para trás o que me rende.
É um dia novo
que irei receber de braços abertos;
num abraço, de saudade,
do dia que abracei em momentos certos.
É só um dia,
um novo dia;
do dia livre
que eu não tive.
É só mais um,
não há mais nenhum;
é so um dia.
um novo dia.
Traz-me, o dia, um novo alento
da vontade de continuar.
Aos ouvidos me sopra o vento:
"Tu és assim, não vais parar".
É, então, aí que penso:
que se o dia me deixar sem saída,
hei-de sempre escapar,
porque tenho um sorriso maior que a vida.
É só um dia,
um novo dia,
que nunca tive
e já não vive.
Dia destes
há aos molhos;
portanto acordo
e abro os olhos.
e mais uma vez vejo o Sol nascer.
Largo a insónia que me prende
e deixo para trás o que me rende.
É um dia novo
que irei receber de braços abertos;
num abraço, de saudade,
do dia que abracei em momentos certos.
É só um dia,
um novo dia;
do dia livre
que eu não tive.
É só mais um,
não há mais nenhum;
é so um dia.
um novo dia.
Traz-me, o dia, um novo alento
da vontade de continuar.
Aos ouvidos me sopra o vento:
"Tu és assim, não vais parar".
É, então, aí que penso:
que se o dia me deixar sem saída,
hei-de sempre escapar,
porque tenho um sorriso maior que a vida.
É só um dia,
um novo dia,
que nunca tive
e já não vive.
Dia destes
há aos molhos;
portanto acordo
e abro os olhos.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Mundo louco
Não vou ficar a agarrar o céu
nem a tentar voar para lá chegar;
porque aquilo que me pertence,
há-de um dia me chamar.
E sei que pertences a mim, mundo louco,
mesmo que a pouco e pouco
pareça que te despeças,
ao voltar, é para mim que regressas.
Regressas porque sabes que nasceste meu,
mesmo tendo tu muito mais idade.
Já não sabes se é meu ou teu,
porque também é tua esta vaidade.
Mundo louco, que és tão selvagem,
com um espírito tão cansado.
Sabes que só queres os meus braços,
pois só neles és amado.
Mas és amado de forma diferente
da que é amada toda a gente.
És amado só por saber
que em ti irei viver.
nem a tentar voar para lá chegar;
porque aquilo que me pertence,
há-de um dia me chamar.
E sei que pertences a mim, mundo louco,
mesmo que a pouco e pouco
pareça que te despeças,
ao voltar, é para mim que regressas.
Regressas porque sabes que nasceste meu,
mesmo tendo tu muito mais idade.
Já não sabes se é meu ou teu,
porque também é tua esta vaidade.
Mundo louco, que és tão selvagem,
com um espírito tão cansado.
Sabes que só queres os meus braços,
pois só neles és amado.
Mas és amado de forma diferente
da que é amada toda a gente.
És amado só por saber
que em ti irei viver.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Como é bom
Como é bom ter alguém ao lado
que nos dê um sorriso por um olhar;
que nos sorria só porque sente
que sem sorriso os vamos abraçar.
Só porque sentimos sem tocar
e vemos sem olhar;
porque sabemos que lá estarão
os corpos da união.
E mesmo que haja alguma sombra,
no Sol do nosso espaço,
são cinco minutos de discussão
e o resto do tempo de abraço.
Dum abraço mais que sentido
de tantas palavras trocadas;
e por mais que se percorra o caminho,
só o percorremos de mãos dadas.
E são estes momentos
que nos deixam
saber o que é bom viver.
São sentimentos
que se fecham
para jamais esquecer.
Para nós todos...
que nos dê um sorriso por um olhar;
que nos sorria só porque sente
que sem sorriso os vamos abraçar.
Só porque sentimos sem tocar
e vemos sem olhar;
porque sabemos que lá estarão
os corpos da união.
E mesmo que haja alguma sombra,
no Sol do nosso espaço,
são cinco minutos de discussão
e o resto do tempo de abraço.
Dum abraço mais que sentido
de tantas palavras trocadas;
e por mais que se percorra o caminho,
só o percorremos de mãos dadas.
E são estes momentos
que nos deixam
saber o que é bom viver.
São sentimentos
que se fecham
para jamais esquecer.
Para nós todos...
domingo, 20 de junho de 2010
Não chores
Não chores, "Pessoa", não chores
que te vai deixar de rosto cansado.
Não chores porque de dor já chega
as lágrimas do mar salgado.
Não chores porque não queres
sentir o que é estar sozinho.
Pensa antes que há em ti
o calor do meu carinho.
Não chores porque há sempre
a minha mão para te tocar;
e se mesmo assim chorares
estarei aqui para te acordar.
Mas não quero que chores, "Pessoa".
E digo-te (para não esquecer):
a amizade não te limpa as lágrimas,
apenas não as faz correr.
E se é sozinha que queres chorar,
não te esqueças de lembrar:
antes de deixares a lágrima cair,
pensa que há alguém que fazes sorrir.
A pedido de uma "Pessoa"...
a ela lho dedico.
que te vai deixar de rosto cansado.
Não chores porque de dor já chega
as lágrimas do mar salgado.
Não chores porque não queres
sentir o que é estar sozinho.
Pensa antes que há em ti
o calor do meu carinho.
Não chores porque há sempre
a minha mão para te tocar;
e se mesmo assim chorares
estarei aqui para te acordar.
Mas não quero que chores, "Pessoa".
E digo-te (para não esquecer):
a amizade não te limpa as lágrimas,
apenas não as faz correr.
E se é sozinha que queres chorar,
não te esqueças de lembrar:
antes de deixares a lágrima cair,
pensa que há alguém que fazes sorrir.
A pedido de uma "Pessoa"...
a ela lho dedico.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Somos nós
Somos nós, o sorriso
do que nos diz nada;
e do nada que nos faz,
faz o que nos diz a paz.
Somos o ombro de um homem;
somos o mundo dos Deuses,
do Olimpo que sonhamos
e dos sonhos que lembramos.
Somos do vento que nos varre;
do tempo que nos leva.
E vivemos quentes e despidos
pelo caminho dos esquecidos.
Porque viver nu não é pecado.
É o que nos dita o fado.
É viver no estado mais puro;
é saltar um muro.
É viver em paz.
Porque somos o que nos interessa,
despindo, cheio de pressa,
a roupa que nos prende
e o calor que nos acende.
Somos o melhor e o pior.
O melhor da humanidade.
Somos da nossa idade
e vamos seja onde for.
Somos a cor que pinta o mar;
a fachada de amar.
Somos o que a dor nos detecta;
somos a dor do poeta.
Somos de novo o sorriso
do riso que já nem lembro.
Que de novo me faz lembrar
do passado de uma lembrança,
que em memória me irá tocar.
E é aos Deuses que mostramos
a forma do que amamos.
Mostramos para lembrar
que é a amar que tentamos.
E de novo sentimos no céu
o sorriso do que somos.
O sorriso por trás do véu,
que nos mostra onde fomos.
Pintamos de novo o dia
sem a cor que nos alicia.
Sem a cor fictícia
que nos disfarça a malícia.
do que nos diz nada;
e do nada que nos faz,
faz o que nos diz a paz.
Somos o ombro de um homem;
somos o mundo dos Deuses,
do Olimpo que sonhamos
e dos sonhos que lembramos.
Somos do vento que nos varre;
do tempo que nos leva.
E vivemos quentes e despidos
pelo caminho dos esquecidos.
Porque viver nu não é pecado.
É o que nos dita o fado.
É viver no estado mais puro;
é saltar um muro.
É viver em paz.
Porque somos o que nos interessa,
despindo, cheio de pressa,
a roupa que nos prende
e o calor que nos acende.
Somos o melhor e o pior.
O melhor da humanidade.
Somos da nossa idade
e vamos seja onde for.
Somos a cor que pinta o mar;
a fachada de amar.
Somos o que a dor nos detecta;
somos a dor do poeta.
Somos de novo o sorriso
do riso que já nem lembro.
Que de novo me faz lembrar
do passado de uma lembrança,
que em memória me irá tocar.
E é aos Deuses que mostramos
a forma do que amamos.
Mostramos para lembrar
que é a amar que tentamos.
E de novo sentimos no céu
o sorriso do que somos.
O sorriso por trás do véu,
que nos mostra onde fomos.
Pintamos de novo o dia
sem a cor que nos alicia.
Sem a cor fictícia
que nos disfarça a malícia.
domingo, 13 de junho de 2010
Agarra-me um pouco mais
Agarra-me um pouco mais.
Mas não quero sentir;
quero apenas saber,
que se quiser,
te irei ouvir.
Que irei ouvir a voz
que em tempos me disse
o que nem sempre quis ouvir.
Ao que inconscientemente respondia
a sorrir.
Agarra-me um pouco mais
e dá-me o mundo num abraço,
que eu só quero o meu espaço
se nele tiver o mundo que me dás.
Agarra-me ainda mais.
Não quero sequer sentir.
Quero ouvir o respirar
e saber que estás a sorrir
sem sequer olhar.
Não quero que vás embora,
nem que tão pouco te deixes ficar.
Quero apenas um abraço
que me possa lembrar
dos sorrisos que ainda caço.
Nem sei se quero sentir a dor
ou sequer sentir amor.
Quero ter sempre este espaço
que me dás nesse abraço.
Abraça-me um pouco mais,
que sentes que esse abraço
é espaço de abraçar
os sorrisos que te faço.
E não abraces por abraçar,
porque sei que vais deixar
aquilo que sempre quiseste
e que em dias me disseste.
Não é nada o que peço,
é o mundo, num abraço
daquilo que ainda podes sentir.
Pelo que assim me despeço,
à espera de um sinal,
se me estiveres a ouvir.
Mas não quero sentir;
quero apenas saber,
que se quiser,
te irei ouvir.
Que irei ouvir a voz
que em tempos me disse
o que nem sempre quis ouvir.
Ao que inconscientemente respondia
a sorrir.
Agarra-me um pouco mais
e dá-me o mundo num abraço,
que eu só quero o meu espaço
se nele tiver o mundo que me dás.
Agarra-me ainda mais.
Não quero sequer sentir.
Quero ouvir o respirar
e saber que estás a sorrir
sem sequer olhar.
Não quero que vás embora,
nem que tão pouco te deixes ficar.
Quero apenas um abraço
que me possa lembrar
dos sorrisos que ainda caço.
Nem sei se quero sentir a dor
ou sequer sentir amor.
Quero ter sempre este espaço
que me dás nesse abraço.
Abraça-me um pouco mais,
que sentes que esse abraço
é espaço de abraçar
os sorrisos que te faço.
E não abraces por abraçar,
porque sei que vais deixar
aquilo que sempre quiseste
e que em dias me disseste.
Não é nada o que peço,
é o mundo, num abraço
daquilo que ainda podes sentir.
Pelo que assim me despeço,
à espera de um sinal,
se me estiveres a ouvir.
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